Entrevistas

O bê-á-bá da atuação no cinema

Foto: Daniel Guilhamet
Foto: Daniel Guilhamet

O renomado ator argentino Jorge Roman faz parte do ciclo de conferencias do 21º Florianópolis Audiovisual Mercosul. Conhecido por protagonizar “El Bonaerense”, de P. Trapero, “La león”, de S. Otheguy, e “Ulises”, de O. Godoy (Chile), participou dos festivais de Cannes, Berlin e San Sebastian com esses filmes. Desde de2009, ministra palestras sobre atuação e no FAM vai orientar os atores que vão atuar nos curtas-metragens produzidos durante o 1º Rally Universitário Floripa.

Na entrevista que segue, Jorge Román faz recomendações para atores que pensam em trabalhar na frente da câmera e propõe uma definição para o ator de cinema.

O que você falaria para um ator que está começando no cinema?
Por experiência pessoal, quando comecei, faz quase 25 anos em Buenos Aires foi como todos os atores, começando pelo teatro, que é a formação oficial e fundamental nossa. Salvo que um comece a trabalhar na televisão ou no cinema, em geral em uma porcentagem muito grande do ator vem de uma formação teatral. A formação teatral significa um espaço e um tempo determinado muito distinto do espaço e tempo que é o set. Então é necessário fazer a passagem e resinificar algumas coisas. Isso não faz com que alguém seja mal ator por exemplo. O que acontece na oficina é que alguns estudantes ou atores de teatro quando enfrentam a câmera sentem que são ruins, mas não. É falta de exercício. Para mim a recomendação é a prática. Eu recomendo aos garotos o que eu fiz quando era estudante, ir a escolas de cinema e me propor como ator para os curtas. Isso te dá um exercício enorme. Também acontece que alguns atores se dão conta com este movimento que o cinema não é para eles, que com o tempo que se manejam não é possível. E também está bem reconhecer isso. Depois desde o ponto de vista autoral, o que trabalho nas oficinas sobre tudo fundamentalmente o registro, já falando da performance do ator. O registro tem a ver com a amplitude com que um se expressa que pede o teatro que a amplitude que um expressa pede o cinema.

O que o cinema pede?
O registro mínimo. Quanto mais mínimo é, muito mais orgânico e incrível para a câmera porque a câmera amplia tudo. O que o ator tem que ampliar com seu corpo para 300 pessoas em uma sala de teatro, essa ampliação, se o que se busca, se encarga a câmera. Então, o que está bem feito e o que é pertinente para o teatro não é para ele o cinema e isso requer um ajuste. O ajuste não tem maiores segredos para mim é simplesmente ir fazendo e recortando, fazendo cada vez menor. Para, alguns estudantes de teatro isso é muito técnico e artificial. Se supõe que como ator convencional deves incorporar isso que é artificial e transforma-lo em orgânico.

As orientações do diretor podem ajudar nisso?
Muito. Para mim o cinema é do diretor. Eu como ator profissional me ponho nas mãos do diretor. As vezes uma pergunta muito habitual de mim nos filmes é “Que queres? ” Ou “Que queres ver aqui? ”. Eu pergunto porque para mim é decisivo o que o diretor quer ver. Uma coisa é a pré-produção, onde fazemos ensaios, investigações, provas de câmera, luz, vestuário, etecetera e quando chega o momento da filmagem é necessário esquecer de tudo isso e simplesmente colocar-se a disposição aqui e agora. Fazer isto e não pedir mais nada. É muito comum no cinema que um diretor, enquanto, estas atuando, tenha opiniões atrás da câmera. Te dizem, por exemplo, “se afaste para direita”, “Não se mova, deixe o olhar aí”. Isso é um elemento que você não poderia fazer porque não tens o elemento de estar olhando a câmera ou o monitor. Se supõe que o diretor está vendo algo ali que não estas vendo. Então também há que incorporar essa voz. Isso não existe no teatro.

Como definirias o ator de cinema?
Eu te diria que alguém que tem a capacidade de levar as reações gerais pelos conflitos que o diretor planta, ou a história do corpo é um animal do cinema. É alguém que quando chega no momento da filmagem tem a capacidade de restringir ou censurar essa vibração física. Uma carga forte, intensa, que ao mesmo tempo se lhe exerce uma repressão para dentro assim que o trabalho seja decididamente implosivo e evite o explosivo. Me parece exigir que essa energia passe especialmente pela vibração física e, chega o caso de fechar planos, pelo que lhe passa internamente e através do olhar. A olhada é a síntese das ações. Um ator de cinema exercitado em ações internas, porem porque pôs o corpo em ações externas. Então, tem a capacidade de reprimir. O ideal seria que te passem coisas, que teu corpo vibre, que a tua energia esteja a ponto de e você tenhas a capacidade de reprimi-la ou censura-la. Esse seria o ABC.

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