Entrevistas

O som que comunica

As diretoras Marina (esq.) e Marcia Foto Marino Mondek
As diretoras Marina (esq.) e Marcia Foto Marino Mondek

O documentário Som dos Sinos, de Marina Thomé e Marcia Mansur, exibido no DOC-FAM nesta quarta, é parte de um projeto transmídia que registra o patrimônio imaterial em torno dos sinos em nove cidades mineiras. O projeto inclui um site interativo (http://somdossinos.com.br/), webdoc, aplicativo pra celular e registrou mais de 40 toques de sinos e o ofício dos sineiros nas cidades de São João del-Rei, Ouro Preto, Mariana, Catas Altas, Congonhas, Diamantina, Sabará, Serro e Tiradentes. Os sinos são uma forma de comunicar e marcar o passar do tempo nas cidades e a atividade dos sineiros está se perdendo. Confira a entrevista.

Como surgiu o projeto em torno da cultura e da simbologia dos sinos?
Marina Thomé - Márcia trabalha com patrimônio imaterial e eu sou fotógrafa e documentarista e trabalho com novas mídias. Esse é um projeto transmídia que existe há três anos e tem alguns produtos audiovisuais voltados pra web. Nossa intenção nesse projeto aprovado pela Eletrobras Cultural é a promoção e difusão do patrimônio imaterial do toque dos sinos e do ofício dos sineiros, que foi reconhecido dessa forma pelo Iphan em 2009. A linguagem dos sinos é uma coisa que está se perdendo com o tempo e nosso trabalho partiu do registro desses toques identificados pelo Iphan. Tem o toque que anuncia mortes, nascimento de menino, de menina, incêndios, são muito precisos.

Percebemos que os meninos sineiros estavam se filmando, a nova geração é interessada nesse registro, e exploramos então a cultura tradicional, popular, a religião, rituais, a música em torno disso utilizando as novas mídias, fizemos um cinema itinerante nas nove cidades, exibimos nas fachadas das igrejas. 

O longa é o último desses produtos e está em fase de distribuição, indo pra festivais do Brasil e de fora. O sino é uma coisa muito multimídia, tem uma questão plástica muito bonita também, da torre do sino, um universo que as pessoas não conhecem. É um universo muito católico, mas que tem a ver com a mineração, com a rota do ouro, essas cidades têm uma certa decadência pós-minério, e foi a partir dos sinos que fomos contando essa história. Um patrimônio que está se perdendo, então tem uma urgência de fazer isso agora. E as pessoas ficam tocadas depois do filme, e muda um pouco a relação das pessoas da própria cidade com os sinos e os sineiros.  

Marcia Mansur –
Uma das linhas do projeto era a valorização dos sineiros nas suas cidades, jogar luz nessas pessoas, por isso a ideia da projeção nas fachadas das igrejas. Os sineiros iam apresentar o filme, apresentavam seus mestres, choravam. É uma história emocionante, que conecta, o sino tem um elemento muito universal, está presente em várias regiões. Depois as pessoas iam cumprimentar o sineiro, diziam muito obrigado pelo que você faz pela nossa cidade, foi muito bonito.

A nossa produtora, a Estúdio Crua, trabalha com foco documental e novas mídias pra difusão de conteúdo e interação, e também realizamos cursos de formação pra trabalhar com novas mídias. O Som dos Sinos nasceu nesse contexto, ser um projeto transmídia, um documentário expandido, focado em patrimônio cultural. Trabalhamos com projetos que têm maior impacto social, pra pensar o documentário como uma ferramenta de mudança de contextos.
 
O FAM 2017 tem o patrocínio Funcultural/ Fundação Catarinense de Cultura, Secretaria de Estado de Turismo, Cultura e Esportes, Governo do Estado de Santa Catarina, da Petrobras e do Governo Federal, com apoio da Secretaria de Cultura e Arte da Universidade Federal de Santa Catarina e realização da Associação Cultural Panvision.
 
 

 

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