Entrevistas

Uma ilha desaparecida

Fábio Brüggemann, roteirista e diretor. Foto Daniel Guilhamet
Fábio Brüggemann, roteirista e diretor. Foto Daniel Guilhamet

O escritor, editor e cineasta Fábio Brüggemann retorna ao FAM com mais uma produção, o documentário/poema Ilha do Carvão, sobre a ilha que ficava próxima à Ponte Hercílio Luz, em Florianópolis, e desapareceu com a construção dos aterros da cidade. Brüggemann assina a direção e a montagem, e o filme tem textos e atuação de Dennis Radünz. A exibição será na Mostra Curtas Catarinenses na quarta, dia 21, às 19h30.

 
Pergunta - Como surgiu teu interesse no tema da Ilha do Carvão? O que o desaparecimento representa pra cidade, pra memória?
 
Fábio Brüggemann - O interesse sobre a Ilha não foi direto, mas a partir do texto do Dennis Radünz, que ele enviou pelo correio para dez amigos. Eu tomei conhecimento da Ilha através deste texto. A ideia apareceu quando me toquei de que o Dennis poderia ser a parte ficcional, ele como narrador do desaparecimento, com olhar de estrangeiro: "sou do rio e falo foz", ele diz. Isso é o mais genial. Precisou dois estrangeiros [Fábio é de Lages e Dennis de Blumenau] falarem da memória de uma Ilha que, em tese, não lhes pertenceu como memória.
 
O desaparecimento, na verdade, tem a ver com o desaparecimento geral da arquitetura e do patrimônio cultural e histórico da Ilha. Moro aqui há mais de 30 anos e a acompanhei a destruição cotidiana da história. O desaparecimento representa a tentativa cruel do capital e da especulação imobiliária em destruir a memória e a história.
 
Pergunta - E quando ao processo da pesquisa, foi difícil descobrir e acessar acervos?
 
Brüggemann - A pesquisa foi a parte mais interessante. Eu já havia feito uma pesquisa iconográfica extensa quando escrevi o livro "História do Comércio no Centro Histórico de Florianópolis". O acervo é bem legal, principalmente o da Casa da Memória e do Instituto Histórico. Muita gente tem postado também na internet. Algumas das imagens eu consegui apenas na internet. O cineasta Zeca Pires me passou dois filmes também, da pesquisa dele. Um do José Julianelli e o outro é um filme incrível de uma viagem de hidroavião, em 1927, do Victor Konder, que sobrevoa a Ilha do Carvão.
 
Pergunta - Como foi produzir e finalizar?
Brüggemann - A produção foi muito legal, adorei fazer o filme. A finalização foi a mais difícil, porque tem a questão do ritmo. Procurei conciliar o ritmo a partir de três elementos: a narração do Dennis, cujo texto está na íntegra, a música do Alberto Heller, que foi extremamente gentil em fornecê-la, e as imagens, tanto fotográficas quanto os filmes.
 
Pergunta – Como é essa parceria tua com o Dennis?
Brüggemann - Eu e o Dennis somos amigos há muito tempo. Já fizemos várias coisas juntos, já editei três livros dele, e a ideia agora é produzir um filme, nos mesmos moldes do Ilha do Carvão, sobre Blumenau, onde nasceu o Dennis. Já estamos pesquisando, mas precisamos de grana pra tocar o projeto.
 
Pergunta - É mais um filme seu no FAM, ano passado como convidado com a ficção Rio da Madre e também em edições anteriores, fale um pouco mais da tua relação com o festival.
 
Brüggemann - Sobre o FAM, participei do grupo que foi ao ex-governador Kleinubing, à época, pedir apoio para que o festival acontecesse. Participei, na verdade, de todas as edições. Já participei como roteirista do filme do Chico Faganello, "Muamba", da Yannet Brigiller, "O herói salva a cidade dentro de um sapato"e de L'Amar", da Sandra Alves. Acho fundamental a continuidade do FAM, principalmente pela relação extensa com produtores do Mercosul.
 
 
O FAM 2017 tem o patrocínio Funcultural/ Fundação Catarinense de Cultura, Secretaria de Estado de Turismo, Cultura e Esportes, Governo do Estado de Santa Catarina, da Petrobras e do Governo Federal, com apoio da Secretaria de Cultura e Arte da Universidade Federal de Santa Catarina e realização da Associação Cultural Panvision.
 
 

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