Entrevistas

“É importante ter acesso aos filmes, em todos os sentidos”

Sandra Kogut, diretora de Campo Grande. Foto Fernanda Hinnig
Sandra Kogut, diretora de Campo Grande. Foto Fernanda Hinnig

Sandra Kogut, diretora de Campo Grande, participou da exibição do seu filme no encerramento do FAM 20 anos. A sessão teve audiodescrição, resultado de um prêmio que a produção havia recebido da Recam (Reunión Especializada de Autoridades Cinematográficas y Audiovisuales del Mercosur). Sandra fala mais sobre a história e a questão do acesso aos filmes nesta entrevista.

Pergunta – Você fala da diluição de diferenças no seu filme?
Sandra Kogut -
No começo do filme a gente só vê a diferença, tudo que separa os personagens, de um lado uma mulher, de meia-idade, burguesa, de outro um menino e uma menina de um bairro mais pobre, deixados pela mãe na porta dessa mulher, na zona sul do Rio de Janeiro. A mãe diz que já volta, o que não acontece. Esses dois mundos se chocam, mas à medida que o filme vai seguindo, eles vão percebendo que no momento da vida estão iguais, na mesma situação. O assunto do filme é esse, como a gente vê o outro, às vezes nem percebemos ou nem tentamos nem que ele está ali. Existe uma barreira, mas quando a gente vence essa barreira, vê que o outro está mais perto do que se pensava.

Pergunta – Como surgiu a história do filme?
Sandra Kogut –
No meu filme anterior, Mutum, uma adaptação de uma história do Guimarães Rosa, tinha uma hora que a mãe dava o seu filho, mas era um gesto de amor, ela achava que daria a ele uma possibilidade de uma vida melhor. Isso não saiu da minha cabeça, e eu ficava pensando, e depois, o que acontece? No final do filme comecei uma pesquisa, fui a abrigos, conversei com crianças, conheci muitas histórias e dali nasceu Campo Grande.

Pergunta – O que representa ter a audiodescrição em Campo Grande?
Sandra Kogut -
É maravilhoso, necessário. E como é importante ter acesso aos filmes, em todos os sentidos, fazer com que os filmes cheguem a todos os públicos, a todo tipo de lugar. Campo Grande acabou, graças à mobilização popular do bairro Campo Grande, chegando lá, pois lá só passam blockbusters. Fizemos uma campanha no Facebook e deu certo, ficou duas semanas em cartaz. Tivemos muito retorno bacana.

Pergunta - O que acha da proposta de integração audiovisual do FAM com os países vizinhos?
Sandra Kogut -
É a minha primeira vez no FAM, a proposta é superbacana, porque quando você faz cinema e vai a festivais sempre se pergunta, por que é que a gente não tem mais relação com os países vizinhos? Por que a gente não está trocando mais, fazendo mais parcerias? Você vai a um festival, na Argentina, no Uruguai, e é muito parecido, temos um entendimento profundo.

Pergunta - Quais são seus projetos agora?
Sandra Kogut -
Tenho alguns projetos de filme, que estão naquela etapa de financiamento, preparação, um filme pra fazer no Rio, outro na Cisjordânia, que é um projeto internacional, e outro de um documentário em Fortaleza, tomara que eles saiam.

O FAM 20 anos tem o patrocínio do Governo do Estado de Santa Catarina, Secretaria de Estado de Turismo, Cultura e Esportes/FunCultural, da Petrobras e do Governo Federal, com apoio da Secretaria de Cultura da Universidade Federal de Santa Catarina e realização da Associação Cultural Panvision/ A.C.S.