Entrevistas

Apesar da crise, setor audiovisual brasileiro apresenta crescimento e pleno emprego

Rosana Alcântara/Ancine. Foto Daniel Guilhamet
Rosana Alcântara/Ancine. Foto Daniel Guilhamet

A advogada Rosana Alcântara, diretora colegiada da ANCINE, apresentou no 20º FAM o Painel “Coproduções no âmbito da ANCINE”, sobre mecanismos de incentivo às coproduções audiovisuais entre o Brasil e os países com os quais a Agência tem convênio. Em entrevista, ela fala sobre os avanços, os problemas e as críticas de seu setor.

Pergunta - Qual é o nosso principal parceiro atual em nossas coproduções audiovisuais internacionais?
Rosana Alcântara – No período de 2005 a 2015, contabilizamos 103 coproduções internacionais de longas metragens. Deste total, 19 foram feitas com Portugal, que é o nosso principal coprodutor internacional. Em seguida vem a Argentina, com 11 filmes.

Pergunta - Uma das maiores críticas feitas atualmente à ANCINE é em relação ao excesso de burocratização da Agência. O que o setor de coproduções tem feito para minimizar isso?
Rosana Alcântara - Na medida em que se intensificam os valores e os volumes, é natural que aumentem também os controles sobre esses volumes. O Fundo Setorial, por exemplo, que operava há alguns anos valores na ordem de R$ 40 milhões, operou R$ 640 milhões em 2014 e R$ 700 milhões em 2015. Assim, automaticamente, na forma de organização do estado brasileiro, para que este dinheiro tenha consequências e apresente resultados, é natural que a papelada em torno dele aumente.

Não estou querendo justificar, mas apenas explicar os motivos pelos quais os produtores enlouquecem com a burocracia. Este ano, só numa das linhas do Fundo Setorial, tivemos cerca de 800 proponentes! A burocracia incomoda os produtores e incomoda a nós também. É um volume de trabalho muito grande, temos aumentado o nosso número de analistas, mas por outro lado para que a administração destes recursos seja republicana, democrática e transparente, todos estes mecanismos são necessários.

Estamos tentando diminuir a burocracia, e já obtivemos muitas vitórias neste sentido, mas é claro que tudo isso não se muda de uma hora para outra. As próprias pessoas que estão lá dentro há 10 anos não mudam de repente. Isso sem falar que a prestação de contas não envolve só a ANCINE, mas também o Tribunal de Contas da União, a Corregedoria Geral da União e os Ministérios Públicos. Mas o importante é que o número de problemas diminuiu muito. O fundamental de tudo, que é a entrega do produto audiovisual, tem acontecido em 99,9% dos casos.

Pergunta - Além da crise econômica, vivemos uma crise política, na qual o presidente interino tem sinalizado com tentativas de mudanças na EBC e a TV Brasil. Estas tentativas poderiam chegar à ANCINE e consequentemente ao cinema brasileiro?
Rosana Alcântara - A ANCINE construiu uma política sólida no entendimento de todo o mercado. Programadores, empresas de telefonia, radiodifusão, exibição, enfim, todo o conjunto que hoje move o mercado de audiovisual tem este conhecimento. A contribuição específica do setor audiovisual no PIB brasileiro, hoje, é maior que a contribuição do setor têxtil, por exemplo. O PIB do audiovisual cresce mesmo no momento em que o PIB do país está em queda. Isso nos dá condições de dizer que não há lógica nenhuma no estado brasileiro em desmontar a estrutura montada até então. Hoje temos uma musculatura institucional protegida através de leis próprias e específicas, de instrumentos auferíveis de controle e com uma diretoria de mandato próprio e específico, que protege de todas as crises. Existe maturidade entre os agentes de diversas esferas dentro deste setor produtivo desenvolvido onde tudo mundo ganha e há espaço para crescimento exponencial.

O FAM 20 anos tem o patrocínio do Governo do Estado de Santa Catarina, Secretaria de Estado de Turismo, Cultura e Esportes/FunCultural, da Petrobras e do Governo Federal, com apoio da Secretaria de Cultura da Universidade Federal de Santa Catarina e realização da Associação Cultural Panvision/ A.C.S.

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