Entrevistas

A história de uma das maiores brasileiras contada em família

Jorge Oliveira e Ana Maria Rocha - foto Fe Hinnig
Jorge Oliveira e Ana Maria Rocha - foto Fe Hinnig

O diretor alagoano Jorge Oliveira, que já retratou no cinema a biografia de outros conterrâneos ilustres, como o escritor Graciliano Ramos, em Mestre Graça, e o operário Manoel Fiel Filho, morto pela ditadura, em Perdão, Mister Fiel, apresentou na tarde desta quarta-feira, na Mostra Doc-FAM, o filme Olhar de Nise, sobre o trabalho da psiquiatra brasileira Nise da Silveira (1905-1999) com os artistas das imagens do inconsciente no Hospital do Engenho de Dentro.

Oliveira trabalhou em família na confecção dessa obra que emocionou a plateia do FAM 20 anos. Sua mulher, Ana Maria Rocha, foi a produtora e montou o filme junto com a filha Tuca Oliveira, enquanto o filho Pedro Zoca codirigiu a produção. Na entrevista abaixo, o casal fala sobre este retrato que apresentou sobre uma das grandes mulheres da história moderna brasileira, uma revolucionária que modificou o tratamento psiquiátrico no Brasil ao tratar os pacientes com humanidade e respeito.

O FAM 20 anos tem o patrocínio do Governo do Estado de Santa Catarina, Secretaria de Estado de Turismo, Cultura e Esportes/FunCultural, da Petrobras e do Governo Federal, com apoio da Secretaria de Cultura da Universidade Federal de Santa Catarina e realização da Associação Cultural Panvision/ A.C.S.

Pergunta – Por que o interesse de contar essa história da doutora Nise da Silveira?
Ana Maria Rocha –
O Jorge tem esse interesse de resgatar a história de alagoanos ilustres, fez isso com o Graciliano, com o Manoel Fiel Filho e com o Floriano Peixoto. Esse projeto de fazer um filme sobre a Nise da Silveira ele alimentou durante quase 20 anos. E fazer esse filme sobre a Nise foi talvez a melhor aventura da minha vida pelo menos. Eu não tive a oportunidade de conhecê-la quando estava viva e, com o filme, eu consegui conhecer a vida e a obra dessa brasileira fantástica. Que grande mulher e que grande brasileira ela foi.

Pergunta – O que significou para você, Jorge, como alagoano, fazer esse filme?
Jorge Oliveira –
A gente fez um mergulho no imaginário dos pacientes, da própria doutora Nise e das pessoas que conviveram ou que, de certa forma, foram influenciadas por ela. E uma felicidade para nós, foi termos conseguido um depoimento inédito da Nise feito em 1997, dois anos antes dela morrer, uma gravação em seis fitas beta de 30 minutos que estavam guardadas na produtora do nosso amigo Ronaldo Duque, que gentilmente nos cedeu esse material. Tivemos apenas que melhorar um pouco no áudio. E nessas fitas ela conta, pela primeira vez, toda a sua vida, desde que saiu de Alagoas, se formou em medicina, foi para o Rio de Janeiro, foi presa, libertada, começou a trabalhar no Hospital Psiquiátrico do Engenho de Dentro, como ela procurou humanizar o tratamento aos pacientes e como começou a trabalhar com arteterapia. E também nós tivemos a felicidade de juntar nesse filme, além do depoimento da Nise, a entrevista que fizemos na Alemanha com o artista plástico Almir Mavignier, que foi quem descobriu os artistas e que trabalhou com ela no hospital do Engenho de Dentro. Os artistas cujos trabalhos hoje estão do Museu de Imagens Inconsciente.

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