Entrevistas

Letícia Friedrich, Boulevard Filmes


Produtora e distribuidora, fundadora da Boulevard Filmes, Letícia Friedrich começou sua carreira no audiovisual no FAM. Gaúcha de Santa Maria, fez graduação em Comunicação Social com habilitação em Cinema e Vídeo, na Unisul, pós-graduação em Direção de Produção em Cinema, em Barcelona, e em Gestão e Produção Cultural, no Rio de Janeiro.

Trabalhou em mais de 20 curtas e longas-metragens de documentário e ficção, como “Amor, Plástico e Barulho”, de Renata Pinheiro. Atuou também em instituições do audiovisual como o Centro Técnico Audiovisual – CTAV/MinC, a Associação Brasileira de Produtoras Independentes – BRAVI e a Associação Brasileira de Cinema de Animação - ABCA. Faz parte da diretoria da Associação Nacional das Distribuidoras de Audiovisual Independente - ANDAI.

FAM - Você começou na produção do FAM quando era estudante de cinema. O que essa experiência com o festival significou na tua carreira?

Letícia Friedrich -
Minha relação com o FAM começou em 2002, eu tinha ingressado no curso de cinema e o festival precisava de pessoas para a equipe. Eu sabia falar espanhol e o festival era do Mercosul, fiz a entrevista e fui contratada para a secretaria. O FAM foi meu primeiro emprego da vida, eu tinha 17 anos. Acabei não só trabalhando naquela edição como na Associação Cultural Panvision, que organiza o festival. Fiquei até 2008, comecei na secretaria, depois fui para a assistência de produção e em 2007/2008 dividi com dois colegas, o Sebastião Braga e a Carol Marins, a produção. Foram seis anos de proximidade, uma relação de carinho, de família mesmo.

Depois fui pro Rio de Janeiro, recebi uma proposta de trabalho lá, eu já tinha feito a produção local em Florianópolis do longa “A luz do Tom'', do Nelson Pereira dos Santos. Fiquei 10 anos no Rio em produtoras, depois fui coordenadora de projetos da BravI, que é parceira do FAM. Em 2013 abri a Boulevard Filmes junto com o Lourenço Sant'Anna, que também trabalhou na produção do festival, então o FAM acompanhou minha trajetória de vida. Em 2014 tive o prazer de retornar com o longa Amor, plástico e barulho, o primeiro filme produzido pela Boulevard Filmes e foi muito lindo exibir na abertura do festival. Na época a diretora não podia estar presente e me indicaram pra ir, fiquei muito feliz porque eles nem sabiam da minha relação com o festival, foi uma coincidência linda.

FAM - Como tem sido a consultoria dos projetos do Lab? Que pontos os projetos precisam desenvolver melhor?

Toda a minha experiência profissional é na área da produção, gestão e execução dos projetos, minha participação no laboratório é muito nesse sentido. Claro, discuto com os diretores e produtores o potencial da história, mas olho muito como a história pode se tornar uma obra, como o mercado pode recebê-la e quais são os parceiros internacionais para se associar e buscar financiamento. Os projetos no Lab são todos primeiros longas, e é essa a experiência que tenho também na Boulevard, essa especificidade de projeto é muito interessante porque o mercado gosta de revelar novos nomes, mas ao mesmo tempo no primeiro longa se aposta menos com recursos, o produtor e o diretor precisam defender mais o seu estilo, então minha participação nessa consultoria é trazer essa força do diretor e do produtor para o projeto e ajudar a obra a ser viabilizada e ser competitiva no mercado.

FAM - O que voce espera do ECM como player? Qual a importância de um mercado audiovisual com o recorte do ECM, de projetos do Mercosul?

A Boulevard Filmes é uma produtora de produtores. Não estamos fechados num formato, buscamos histórias potentes, universais, que podem interessar ao mercado e sejam de algum nicho específico de público, de uma plataforma, um canal ou até algum estilo de linguagem que as diferencie. São narrativas que podem atrair novos olhares ao mercado vindas de novos realizadores. Ajudamos a revelar novos talentos, a nossa participação em mercados e aqui no FAM é no sentido de coprodução ou reverberando esses projetos como distribuidores. Por ser um mercado do Mercosul é importante somar forças, vivemos um momento muito difícil no Brasil de viabilização de projetos, então se associar com outros países que podem ajudar a complementar recursos é muito importante, não só para viabilizar a obra mas também fazer com que ela tenha um alcance maior, que seja coproduzida com outro país, chegue a outros festivais e continentes. A gente já tem experiência em coproduções internacionais e é muito interessante para que a obra seja mais vista e voe mais longe.

FAM - Quais são os projetos em que você está envolvida atualmente?


Hoje a Boulevard está trabalhando em cinco projetos diversos em suas linguagens e estágios de produção, um longa de animação dirigido pela Priscilla Kellen chamado “Papaya”, o curta de animação “Safo”, da Rosana Urbes, o documentário “A arte da diplomacia”, dirigido pelo Zeca Brito, uma parceria nossa com o Canal Curta e coprodução com a Anti Filmes, de Porto Alegre, um projeto de longa em desenvolvimento com a Nina Kopko, catarinense que estudou cinema na UFSC, e o Giovanni Martins, que é carioca e escritor. Os dois foram selecionados para uma residência artística em Pari, onde ficarão exclusivamente dedicados a escrever esse roteiro de longa. O quinto projeto é o longa-metragem de animação “Bizarros Peixes das Fossas Abissais”, escrito, dirigido e animado pelo Marão e está em fase final de produção, com previsão de lançamento para o segundo semestre de 2022.

O ECM+LAB 2021 é uma realização da Associação Cultural Panvision e Muringa Produções Audiovisuais, com apoio LatAm Cinema, Brasil Audiovisual Independente - BRAVI, Brazilian Content, Projeto Paradiso, Associação Brasileira da Produção de Obras Audiovisuais - APRO, Santacine, Floripa Film Commission, e faz parte do 25º Festival Internacional de Cinema Florianópolis Audiovisual Mercosul - FAM 2021.

 O 25º Florianópolis Audiovisual Mercosul tem o patrocínio do Sebrae e é uma realização da Associação Cultural Panvision e Muringa Produções Audiovisuais.



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