Entrevistas

Entrevista com Ivan Boeing, Diamond Films


Ivan Boeing é diretor geral da Diamond Films Brasil, maior distribuidora independente da América Latina, fundada em 2010. Foi especialista em aquisições do Sun Distribution Group e por 20 anos diretor de aquisições e de Relações Internacionais na Imagem Filmes Distribuidora. É um dos tutores dos projetos de filmes e séries selecionados no ECM+Lab deste ano. A Diamond Films também é player deste quinto Encontro de Coprodução no FAM 2021.

O 25º Florianópolis Audiovisual Mercosul tem o patrocínio do Sebrae e é uma realização da Associação Cultural Panvision e Muringa Produções Audiovisuais.

FAM - Distribuição é um dos grandes entraves para o cinema latino-americano. Quais as principais dificuldades para as produções latinas chegarem aos cinemas e streamings?

Ivan Boeing - Na verdade, distribuição é um entrave para todo e qualquer projeto, independentemente de sua origem. O cinema latino-americano vem crescendo em exposição, mas ainda é necessário um esforço maior para alcançar os mercados internacionais. Entendo que a principal dificuldade continua sendo encontrar mecanismos de apoio à promoção. Além disso, a velha máxima também segue sendo verdadeira: "Think Globally, Act Locally".

Como um dos tutores do Laboratório de Projetos do ECM, que aspectos pretende estimular nos projetos participantes quanto à distribuição?

A cultura latino-americana é riquíssima e não faltam belas histórias e obras literárias para se converter em bons projetos de produção. O que o mercado busca é originalidade e aderência com o público-alvo. Costumo dizer que existe mercado para todo tipo de projeto, a questão é a adequação ao target que se busca e a consequente moderação das expectativas.

Já participou de laboratórios semelhantes em outros mercados de cinema? Como vê essa iniciativa?

Ainda que trabalhe há 25 anos no setor, é realmente minha primeira vez num laboratório como esse e estou muito honrado com o convite. Acredito que minha experiência em aquisições e atuação nos mercados internacionais possa somar para a qualidade do evento, o qual me parece extremamente válido e relevante para os potenciais produtores interessados.

Como um dos 31 players do ECM, que lança em torno de 40 títulos anualmente, em que tipo de projetos e narrativas a Diamond Films e a Galeria Distribuidora estão mais interessadas?

A Diamond Films tem um perfil ultra-diversificado e historicamente trabalha com um leque variado de filmes. Nosso DNA é 100% independente, focado no cinema e estamos abertos a todos os tipos de projetos, desde que vejamos potencial para atrair o público brasileiro (ainda que nichado). Além disso, como parte de um grupo internacional com operações em toda América Latina e também na Península Ibérica, investimos continuamente em produções locais, com forte atuação na Argentina e no México. Já a Galeria Distribuidora tem o olhar mais direcionado para projetos que visem o grande público. Partindo dessa premissa, está aberta a todos os gêneros e buscando histórias inovadoras, mas que ao mesmo tempo se conectem com o espectador. A empresa tem como característica participar ativamente do processo de desenvolvimento do projeto, ao lado do produtor.

Como percebe o cenário atual do audiovisual em Santa Catarina? E qual sua relação com o FAM e com a cidade de Florianópolis?

Confesso não estar muito familiarizado com o cenário da indústria audiovisual em Santa Catarina, salvo meus contatos com algumas empresas específicas, mas espero poder me aproximar dos profissionais da região durante os encontros que teremos. Como florianopolitano acompanho o FAM desde sua primeira versão e me orgulha saber que Florianópolis é a casa deste importante evento.

 



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