Entrevistas

Entrevista: Victor Sanchez, do Ibermedia

Foto Daniel Guillamet
Foto Daniel Guillamet

A participação do Brasil como um dos principais países a aportar recursos no Programa Ibermedia e ser um significativo parceiro em coproduções com diversos países está ameaçada. Em junho, a Ancine divulgou uma nota informando a impossibilidade de pagar diversos projetos já contratados em editais públicos dos anos anteriores. Para falar sobre isso, e sobre o programa, o ECM+LAB do FAM teve a participação on-line nesta terça de Víctor Sanchez, coordenador geral do Ibermedia, além de Mary Morita, da Brazilian Content, e apresentação do produtor do FAM, Tiago Santos.


O Ibermedia existe há 22 anos, reúne 21 países e é um programa de estímulo à indústria audiovisual ibero-americana. Faz parte da Conferência de Autoridades Audiovisuais e Cinematográficas Ibero-americanas (CAACI). Existem linhas de desenvolvimento para longas, de US$ 15 mil, US$ 30 mil caso sejam de animação, apoio a projetos para plataformas digitais, e uma nova linha, em 2020, para desenvolvimento de séries, no valor de US$ 30 mil. Para coprodução, são US$ 150 mil para longas-metragens de ficção e de animação e US$ 100 mil para documentário. Atividades de formação podem concorrer a US$ 50 mil.

FAM – Quais os principais resultados do Ibermedia em mais de duas décadas?

Vitor Sanchez
- O Ibermedia tem um componente cultural importante e é um programa de êxito. Já investiu quase 110 milhões de dólares em 948 coproduções, mais de 700 filmes estrearam e outros 1.022 estão em desenvolvimento, concedeu mais de 3 mil bolsas de formação e fornece apoio à distribuição e exibição. Existe o Ibermedia digital, plataforma para discussões educativas, e havia o Ibermedia televisão, que exibia conteúdos nas televisões públicas latinas e ibero-americanas todas as semanas. Um dado relevante é que mais de 30% dos projetos em desenvolvimento chegam às telas, um grande resultado. As coproduções são responsáveis por 80% do fundo e os padrões de coprodução ao longo do tempo revelam a maturidade do programa. Antes todas as coproduções passavam pela Espanha ou Portugal, agora há muito mais diversidade. Apoiamos a produção independente e pela primeira vez temos ajudas específicas para séries de tvs tradicionais ou plataformas.

FAM - Como é a trajetória do Brasil no fundo?

Sanchez
- Ao longo do tempo, vemos os aportes do Brasil aumentando, tornando-se o segundo país que mais aportou recursos, e a maior parte veio da Ancine. Historicamente a Ancine é o instituto de cinema que trouxe maior aporte ao programa.

O Brasil é paradigmático a partir de 2005, 2006, quando passa a doar mais e aposta firmemente no apoio a toda a indústria audiovisual latino-americana. Isso fortaleceu redes de produção e formou um tecido industrial sólido que permitiu coproduções majoritárias e minoritárias. O Brasil coproduz muito com todos os países ibero-americanos, sem necessidade de forçar as histórias. Em novembro de 2019, em nossa última reunião em Manágua, os maiores investidores no fundo foram Argentina, Brasil, Espanha e Itália. Do ponto de vista estratégico, o Brasil é fundamental, não somente pelos aportes, pivotou políticas e tendências dos últimos anos, aglutinadas por meio da Ancine.

FAM - Como o Ibermedia vê a situação atual do Brasil e quais as saídas possíveis?

Sanchez
- Estamos muito comprometidos para que Brasil siga ocupando este posto que efetivamente merece. No Ibermedia o interlocutor é a Ancine, autoridade formadora da Caaci. De alguma maneira todos os países são sensíveis à realidade, há épocas que não são favoráveis. A Venezuela há três anos muito aportava no Ibermedia e outras iniciativas. Seu contexto cultural e econômico permitia. O Brasil tem flutuado bastante, isso tem a ver com a situação econômica e política e expectativas junto ao Ibermedia.

Estamos pensando na solução e abertos a receber propostas para interlocução e ajudar a avançar nesta situação difícil, que não é só o caso do Brasil.

Gostaria por fim de passar uma mensagem de ânimo para produtoras audiovisuais, vimos instabilidade na região ibero-americana, temos problemas políticos e financeiros e quanto à qualidade de vida na pandemia. O momento é crítico não exclusivamente da nossa indústria, temos que explorar novos formatos de produção, novas linguagens, que possamos avançar e ser mais imaginativos na busca de alternativas.

O ECM conta com a parceria do Salón de Cali (Colômbia), Mendoza Film Lab (Argentina) e Entre Fronteras, e é uma produção da Associação Cultural Panvision e Muringa Produções Audiovisuais, com o apoio institucional da LatAm Cinema, BRAVI - Brasil Audiovisual Independente, Brazilian Content e Floripa Convention / Floripa Film Commission.

O 24ª Florianópolis Audiovisual Mercosul é produzido com a Lei de Incentivo à Cultura, apoio Celesc e Engie, com patrocínio do Prêmio Catarinense de Cinema, Fundação Catarinense de Cultura, Governo do Estado de Santa Catarina, BRDE, FSA, Ancine, e realização da Associação Cultural Panvision, Muringa Produções Audiovisuais, Secretaria Especial da Cultura, Ministério do Turismo, Pátria Amada Brasil, Governo Federal.

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